sábado, 3 de janeiro de 2026

Mais um sopro de vida

Mais um sopro de vida
espalhado no vento
muito mais turbulento
do que em vão se previa.

Uma vasta ruína
que impregna no tempo,
como, aos poucos, o cheiro
de bolor na camisa,

e não deixa abrandar
a inquietude tenaz,
nos rincões da lembrança,

de jamais entender
se o engano foi ter
ou perder a esperança.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

final de ano

final de ano 
tanta coisa deixei
pela metade

***

final de ano 
eu releio haicais
inacabados

***

última chuva 
e agora também é
primeira chuva

***

manhã de sol 
as abelhas não sabem
do ano novo

***

céu de ano novo 
o sol vindo do leste
chuva do oeste

***

som de rojões 
o meu primeiro sonho
interrompido