domingo, 3 de junho de 2018

Quatro haikais

Silêncio noturno.
Até os grilos lá fora
Já foram dormir.

***

Casal de lagartos
Correndo pela calçada.
Som de folhas secas.

***

Quase anoitecendo.
Silhueta na baía
Dos mais de cem mastros.

***

Brisa repentina.
Uma aranha no seu fio
Balança assustada.

sábado, 17 de março de 2018

sábado, 24 de fevereiro de 2018

Haikai do sapo

Basho é o mais proeminente autor de haikais da história. Mais que isso, ele fundou a tradição de escrita de haikais que perdura até hoje. Dentre seus mais de mil haikais, um é especialmente famoso, embora se possa dizer que não é seu melhor haikai. Esse haikai é conhecido como "haikai do sapo" ou "haikai da rã" e simplesmente fala de uma rã saltando na água e o barulho que isso faz. Algo bem simples e contemplativo, mas muitos dos bons haikais são assim. A tradução que faço aqui não é direta do japonês, pois sei quase nada da língua nipônica, mas a partir de uma tradução crua (a tradução direta sem adaptações) e também com base em outras traduções (algumas podem ser encontradas aqui).

O sapo saltando
No cantinho dum açude.
Breve som da água.

***

Uma rã saltando
No cantinho dum açude.
Breve som da água.

(variação)

***

Furu ike ya 
kawazu tobikomu
mizu no oto

Basho

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

A word is dead

Cá está minha tradução de um pequeno poema de Emily Dickinson. Uma discussão detalhada e outras traduções desse poema podem ser encontradas aqui, onde também está a minha tradução. O poema de Dickinson em questão possui duas frases e cada uma seria um decassílabo heróico se fosse um único verso. Tentei manter essa estrutura, embora tenha feito com doze sílabas ao invés de dez. Além disso tentei também manter o esquema de rimas do original e fazer um ritmo semelhante. Anyway, à tradução:

Morre a palavra
Quando falada,
Alguém disse.
Digo, porém,
Daí por diante
Que ela vive.


***

A word is dead
When it is said,
Some say.
I say it just
Begins to live
That day.

Emily Dickinson

sábado, 16 de dezembro de 2017

isso transborda feito lama escura

isso transborda feito lama escura
saindo pelas grades de um buei
ro percorre quilômetros de rua
expondo estrume e vômito de bêbado
transborda pela boca feito a dor
no silêncio de gritos calejado
e sangue que escorrega pelo corpo
até a lama escura no sapato
e a lama escura na calçada até
o asfalto e o que há debaixo até raízes
de palmeiras e a fôrma de concreto e
a escuridão enorme e enrijecida
onde a noite transborda feito la
ma escura sem ter ânsia de amanhã

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

Vento repentino.

Vento repentino.
Correm pelo azul do céu
Folhas amarelas.

Vôo sobre nuvens.

Vôo sobre nuvens.
Um deserto em tons de azul
Surge ao pôr do sol.